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OPINIÕES: O vazamento de óleo

Depois do vazamento de milhares de litros de óleo no Campo de Frade, na Bacia de Campos, de responsabilidade da Chevron, torna-se imperativo dispor de um Plano de Contingência para casos de acidentes desse tipo, reclamado há 11 anos por ambientalistas. E para isso o governo deve, em primeiro lugar, exigir absoluta transparência das atividades das companhias que extraem petróleo na área, sejam concessionárias, seja a própria Petrobrás. Detectado o vazamento no dia 8 deste mês, a 120 km da costa do Estado do Rio de Janeiro, a Chevron demorou para se pronunciar e, quando o fez, atribuiu a mancha de óleo no mar a uma falha geológica. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o Ibama tampouco mostraram apego pela transparência, o que levou a protestos de ambientalistas.

No início, como disse Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace, a única fonte de informação era a própria companhia. Somente após uma lenta investigação, a Agência Nacional do Petróleo informou ter havido um “furo” na sapata do poço, que levou a sonda a atravessar uma falha geológica. O presidente da empresa no Brasil, George Buck, admitiu então que seus técnicos subestimaram a pressão do reservatório, devido a erro de cálculo na injeção de lama pesada para impedir o retorno do óleo pela tubulação até a superfície do mar.

Agora, passado um bom tempo, aumentaram as suspeitas da ANP. Segundo os especialistas da agência, o acidente pode ter sido devido ao emprego pela Chevron de uma sonda com capacidade para perfurar a 7.600 metros, chegando à camada do pré-sal. Nota-se que o petróleo no Campo de Frade é encontrado a menos da metade dessa profundidade, não havendo necessidade, portanto, de ir além. A empresa nega essa irregularidade, afirmando que a perfuração abaixo do subsolo foi de apenas 2.279 metros. A suspeita foi suficiente para a abertura de um inquérito pela Delegacia de Meio Ambiente e do Patrimônio Histórico da Polícia Federal, que julga ter havido crime ambiental e trabalha também com a hipótese de a Chevron ter utilizado uma sonda com capacidade para perfurar além do limite.

Segundo Nilo Azambuja, ex-presidente da Associação Brasileira de Geólogos do Petróleo, as conjecturas surgidas em relação às causas do vazamento não podem ser consideradas definitivas. Mas, qualquer que seja a conclusão, é estranho que não exista nenhum tipo de fiscalização da ANP para evitar que as empresas exploradoras ultrapassem o limite de profundidade da perfuração determinado nos seus contratos, em face da regulamentação em vigor para o pré-sal. Só agora, depois do óleo derramado, a Agência acusa a Chevron de não ter utilizado um equipamento importante para evitar vazamento, ameaçando a companhia de deixá-la fora da exploração do pré-sal. Já o Ibama, que concedeu licença ambiental para perfuração no local, não previu o risco de liberação de óleo pelas falhas geológicas.

Felizmente, o vazamento parece estar sob controle, a mancha diminuiu e avança em direção ao alto mar, evitando um desastre que poderia poluir seriamente as praias e mangues da costa, como ocorreu no Golfo do México em abril de 2010. Mas nem por isso deixa de haver prejuízos ambientais que impedem a pesca e afetam a biodiversidade da área. O Ibama impôs à companhia uma multa de R$ 50 milhões e outras multas de R$ 100 milhões podem resultar de autuações pela ANP, para servir de exemplo às companhias que exploram petróleo off shore. Também o governo do Estado do Rio estuda reivindicar reparação pelos danos à vida marinha. Estima-se que o custo total da punição à Chevron chegue a R$ 210 milhões. Multas, por mais elevadas que sejam, não revertem os efeitos ambientais. É necessário um verdadeiro plano de contingência, com medidas de prevenção de acidentes sendo revisadas frequentemente. As autoridades brasileiras parecem não ter compreendido até hoje que o domínio da tecnologia de exploração de petróleo off shore, em grandes profundidades, é inseparável da capacidade de prevenir e enfrentar acidentes.

Fonte: http://m.estadao.com.br/noticias/impresso,o-vazamento-de-oleo,801875.htm

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RISCOS & PETRÓLEO: Petrobras pode ter de ficar com parte do prejuízo de vazamento em Frade

A Petrobras e a japonesa Inpex, sócias da Chevron no campo de Frade, na Bacia de Campos, poderão ter que arcar com parte dos prejuízos causados pelo vazamento de petróleo ocorrido no dia 7. A estatal responde por 30% da sociedade e tem por prática não contratar seguro contra acidentes ou perdas ocorridas durante a exploração de poços no Brasil. A Chevron, que detém 51,7%, e a Inpex, com 18,3%, chegaram a contratar uma corretora de grandes riscos, mas nenhuma das partes informa se algum seguro chegou a ser feito.

No mercado segurador, o risco que cobre a etapa de perfuração, durante a qual houve o vazamento em Frade, é conhecida como “despesas extras do operador”. Segundo o responsável pela área de óleo e gás do IRB-Brasil Re, Carlos Vinícius Simonini, nesse tipo de apólice são cobertos, usualmente, os custos com o estancamento do vazamento, com a despoluição causada pelo incidente e até uma nova perfuração do poço.

A outra apólice comum para esses casos, exigida pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), é a de responsabilidade civil, que cobre danos causados contra terceiros. Ainda não houve danos pessoais reclamados no caso.

Multas, como as aplicadas pela ANP e pelo Ibama, não são passíveis de cobertura, conforme as práticas do mercado segurador. As multas e indenizações podem custar aos responsáveis pelo poço R$ 260 milhões. Desse total, R$ 78 milhões caberiam à Petrobras e R$ 47,6 milhões à Inpex. Esse valor pode aumentar, já que não inclui despesas operacionais com o vazamento e o aterramento do poço por onde vazou óleo. O Valor apurou que o seguro contra poluição ambiental da Petrobras poderá ser acionado apenas se for caracterizado como “não decorrente de descontrole do poço”.

Fontes próximas à Petrobras explicam que a estatal prefere não contratar a cobertura de despesas extras do operador por entender que o risco inerente à exploração é controlado por ela e, por isso, faz parte do risco do negócio. Ao transferir esse risco para uma seguradora, a Petrobras entende que estaria apenas repassando o benefício do ganho exploratório para um agente financeiro.

A depender dos resultados das investigações sobre as causas do acidente, a conta ainda pode ficar integralmente com a Chevron. Os dois sócios da companhia poderão se valer de uma cláusula constante no acordo de operação conjunta, que os exime da responsabilidade em caso de negligência grave por parte da operadora do poço.

Na série de desinformações protagonizadas pela Chevron, o presidente da companhia no Brasil, George Buck, deu a seguinte resposta à pergunta sobre qual era a seguradora da empresa: “Isso não é importante”. Buck tem repetido que a Chevron assume “total responsabilidade” pelo acidente, isentando a Transocean, dona da plataforma de perfuração, e a BJ Services, do grupo Baker Hughes, responsável pela cimentação.

A Chevron tampouco responde sobre acusações feitas pela ANP de que demorou a responder ao acidente por falta de equipamentos e até do cimento necessário para selar o poço. “Vamos avaliar todas as demandas e respondê-las de acordo com as leis brasileiras”, diz a empresa.

Mesmo que haja cobertura de seguro, o incidente pode redundar em custos financeiros mais elevados no futuro. Segundo José Américo Peón de Sá, assessor da presidência da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSeg), há uma disposição legal que prevê que, uma vez ocorrido o sinistro, as companhias responsáveis pelo risco são obrigadas a lançar em seu passivo o montante proporcional à cobertura pela qual respondem. Isso representa um custo, que é repassado ao prêmio pago na renovação de seguros do mesmo ramo, e não só para a companhia que sofreu o acidente.

“Há uma nítida e imediata tendência ao aumento de preço”, disse Peón de Sá. Ele pondera que esse encarecimento pressupõe a existência da cobertura e depende ainda da dimensão dos danos, que, no caso de Frade, ainda será apurada.

Segundo Ângelo Colombo, diretor de grandes riscos da seguradora Allianz, a mera ocorrência do incidente em Frade não pode ser considerada um fator de elevação do preço do seguro. “É prematuro dizer que o mercado vai precificar em função de aversão a risco”, disse Colombo.

Ele procurou estabelecer diferenças entre o acidente ocorrido no campo de Frade e o do Golfo do México, em março de 2010, que provocou vazamento de 4 milhões de barris de petróleo. Naquele caso, houve mortes e danos materiais no equipamento usado pela operadora BP, e foi o ressarcimento desses danos que provocou o encarecimento do seguro naquela região, entre 10% e 15%.

Mauro Leite, líder da prática de riscos de petróleo e gás da corretora Marsh, acredita que o acidente na Bacia de Campos pode levar o mercado segurador a ser mais exigente para aceitar riscos na região. Conforme a Superintendência de Seguros Privados (Susep), de janeiro a julho deste ano foram pagos R$ 285,8 milhões em prêmios no ramo riscos de petróleo, 137% mais que no mesmo período de 2010.

Os custos com seguro vêm preocupando a Petrobras. Em apresentação feita durante o 1º Encontro de Resseguro do Rio, em outubro, o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, mostrou os valores desembolsados pela companhia nos últimos anos e, em um salão repleto de profissionais do setor de seguros, levantou a possibilidade de deixar de renovar sua apólice e fazer “autosseguro”.

Fonte: http://www.valor.com.br/brasil/1105998/petrobras-pode-ter-de-pagar-parte…

VAZAMENTO DA CHEVRON: Lições preliminares

A empresa CHEVRON Brasil (que comprou a TEXACO) vem trabalhando para conter o vazamento de óleo no Campo Frade, na Bacia de Campos, no Rio.  O vazamento começou na quinta-feira, 10 de novembro de 2011, a 120 Km do litoral de Campos no Rio de Janeiro. A expectativa de que o vazamento pode ser pior do que havia sido divulgado no início fez, na semana do acidente, as ações da empresa caírem 3% na bolsa de Nova York.

Segundo a Chevron, todo o óleo vai ser sugado e despejado em instalações da própria Chevron. A Chevron afirmou que os navios que estão fazendo a limpeza “não usam areia nem dispersantes para controlar a mancha”. “As embarcações empregam métodos aprovados pelo governo brasileiro, que incluem barreiras de contenção, ’skimming’ [técnica para retirar o óleo da água] e técnicas de lavagem, para controlar, recolher e reduzir a mancha”, disse a Chevron em comunicado oficial, no qual afirma também que já foram recolhidos “mais de 250 metros cúbicos de água oleosa”. De acordo com a multinacional, 18 navios estão tentando conter a mancha de óleo e não permitir que ela se espalhe. Oito são da própria Chevron e outros 10 cedidos pela Petrobras, Statoil, BP, Repsol e Shell.

Às 12h30 do dia 16 (6 dias após a divulgação do vazamento) começaram os trabalhos de cimentação do poço, passo anterior ao seu ‘abandono’, que significa fechar toda a estrutura aberta durante a perfuração que resultou no acidente com a colocação de lama e cimento.

A causa provável do acidente, segundo a Chevron, é uma falha geológica localizada a cerca de 150 metros de um poço injetor que estava sendo perfurado. SOMENTE ATRAVES DO RELATÓRIO FINAL DA INVESTIGAÇÃO DESTE ACIDENTE PODEREMOS AVALIAR O GERENCIAMENTO DE RISCOS DESTA OPERAÇÃO. MAS PODEMOS LEVANTAR HIPÓTESES PRELIMINARES PARA FATORES CONTRIBUINTES:

1) Falha no estudo geológico do subsolo;

2) Falha no EIA (Estudo de Impacto Ambiental);

3) Falha na precisão do Plano de Contingência;

4) Falha de engenharia nos cálculos do peso da lama e da pressão existente no posso.

Como ocorre em todos os vazamentos de petróleo as medições são apenas estimativas. Portanto, neste caso  – como sempre ocorre nos casos de vazamentos – também há divergência sobre a extensão atual da mancha de óleo, que chegou a atingir 160 quilômetros quadrados. A Agência Nacional de Petróleo (ANP) diz que a área afetada é de 12 quilômetros quadrados. Enquanto a medição da Chevron indica 1,8 quilômetro quadrado. Há ainda as estimativas da SkyTruth, site especializado na interpretação de fotos de satélite para fins ambientais, que a partir de uma imagem da NASA, concluiu que a mancha toma uma área de 2.379 Km quadrados (14,5 vezes o declarado pela Chevron) e que o total derramado pode chegar a 3.738 barris por dia, cerca de dez vezes mais do que o declarado pela Chevron.

Foi formado um grupo de acompanhamento criado para fiscalizar as medidas que vem sendo tomadas pela Chevron Brasil, formado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) e a Marinha do Brasil.

A plataforma envolvida neste acidente, a SEDOC 706, que perfura três poços da Chevron é da TRANSOCEAN, a mesma empresa dona da Deepwater Horizon que estava a serviço da BP no Golfo do México, no pior vazamento de petróleo dos EUA e da história da exploração em alto mar.

A Petrobrás é sócia da Chevron no campo de Frade, com 30% de participação no empreendimento. A petroleira americana, com 51,7%, é a operadora responsável pelas operações. A parceria é complementada pelo consórcio Frade Japão Petróleo, com os 18,3% restantes. O poço com problemas está no campo de Frade, na Bacia de Campos. Sua capacidade de produção é de 75 mil barris de petróleo por dia, que lhe garante o posto de oitavo maior campo do Brasil. No entanto, o poço produziu 80.425 barris de petróleo equivalente por dia em setembro.

A sorte deste dano ambiental não ser maior é que a mancha segue em direção sudeste, para o alto mar, afastando-se da costa.

O que podemos aprender com este acidente?

Que o Plano de Contingência – que é exigido pelo CONAMA, conforme se depreende do post abaixo – precisa ser específico, em conformidade com a operação. Isto é, precisa considerar o óleo do poço (sua viscosidade (vide observação abaixo) e sua densidade (de menor importância). Também precisa considerar a localização da plataforma, do poço, em função dos ventos e das correntes marinhas.

Observação: A viscosidade tem forte influência na aplicação de algumas técnicas de limpeza – dispersantes químicos e skimmers são ineficazes para produtos altamente viscosos – e é também um fator condicionante da dispersão. A viscosidade é fortemente influenciada pela temperatura, e aumenta à medida que o óleo envelhece e aumenta a evaporação das frações leves e formação de emulsão com a água.

Como é feito atualmente? Muitas empresas – NÃO TODAS – interpretam o Plano de Contingência como um custo, contratam uma consultoria mais barata possível, preenchem relatórios bonitos e cheios de gráficos não para utilizá-los, mas apenas para cumprir a exigência legal da Resolução do CONAMA!

Só com rigor, multa e fiscalização, poderemos educar as empresas para os elevados, dinâmicos e complexos riscos da operação off-shore (sejam elas no pós ou no pré-sal). A legislação é excelente mas pode ser melhorada. A Resolução 293 do CONAMA, por exemplo, pode ter diferentes interpretações – quanto a profundidade da exigência – em diversos tópicos importantes. Esta Resolução está no post abaixo.

Autor: @gustavocorrecta

Fonte: http://www.segurado.com.br/bloggustavo/?p=471

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