Mais Médicos: empatia com o paciente supera dificuldades com o idioma

Deu no Zero Hora de 22 de fevereiro de 2014:

ABRASPAS

Sobeida Quiala Ortiz não deveria estar na Unidade de Saúde Campo Vicente, em Nova Hartz, na quinta-feira. Era seu dia de folga. Mas ela não quis deixar os pacientes desassistidos e apareceu para trabalhar — a médica brasileira, lesionada no início da semana, está afastada.

Desde novembro, Sobeida atende entre 24 e 26 casos diários. Fala muito, numa mistura de português e espanhol, e não se atém apenas às queixas específicas de cada um, aprofundando-se na investigação. A dedicação rendeu-lhe uma distinção: os pacientes agora fazem exigências ao chegar.

— Eu quero a cubana — pediu um usuário.

— Não tem escolha — informou a recepcionista.

— Então não quero — justificou, contrariado, e foi embora.

Sobeida se emociona com a preferência, mas quer evitar mal-estar com os colegas. Concentra-se nos prontuários, preocupada com a grafia correta do idioma que está aprendendo.

— Pensei que teria muito problema, mas fomos acolhidos muito “bom”. Todos entendem — garante.

A mesma admiração que os pacientes demonstram por Sobeida foi encontrada por Zero Hora em relação a outros cubanos, em postos visitados durante a semana. Os relatos são recorrentes: em comparação com os brasileiros, os cubanos fariam consultas mais demoradas e mostrariam maior interesse. Em Viamão, Solange Floriano, 51 anos, afirmou ter tido uma primeira consulta de uma hora e meia com um médico de Cuba.

— Foi a consulta mais longa que tive na vida. Ele perguntou até quando eu menstruei a primeira vez. Eu nunca tinha sido tratada assim. Os brasileiros mal olham pra gente — afirmou.

Ao ouvir o relato de Solange, Sonia Borges, 59 anos, concordou:

— O cubano te olha nos olhos. Os brasileiros estão sempre com muita pressa. Não quero desprezar, mas agem como se estivessem fazendo um favor.

Os usuários também se impressionam com a simplicidade dos cubanos. Na sexta-feira, ZH visitou uma unidade [em] Morro Redondo, no sul do Estado, e encontrou a médica Elsa Corcho Martinez, 50 anos, varrendo o posto.

— No primeiro dia, ela chegou de bicicleta e foi o assunto da cidade. A comunidade se viu atendida por gente como a gente — opina o enfermeiro Jaques Bueno.

FECHASPAS

Aparentemente, a empatia com o paciente é mais importante que o domínio do idioma.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/geral/noticia/2014/02/os-detalhes-do-cotidiano-dos-colegas-pacientes-e-medicos-cubanos-4427780.html

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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