Democracia representativa, onde?

Li agorinha no Twitter esta frase de José Luiz Portella:

“Democracia não é a quantidade de partidos. É a quantidade de cidadãos que se sentem representados. Ninguém se sente.”

Entendo que ele fala da democracia representativa, e entendo que a opinião dele dá o que pensar.

O número de entidades e de pessoas que desempenham a função representativa tem, sim, uma certa importância. Mas não é mais importante que o número de representados, que é sempre menor do que o de eleitores.

Para além disto, há o fato de que, a se julgar pela prática político-partidária dominante, há um distanciamento significativo entre partidos e pessoas. Gosta-se de dizer que, numa democracia, todo poder emana do povo e seu nome é exercido, mas o fato é que, passadas as eleições, os partidos frequentemente exercem poder -apesar- do povo. Perseguem o atendimento de seus objetivos mais do que a satisfação das necessidades dos cidadãos.

E assim chegamos a uma situação em que muitos dizem, com razão, que nenhum partido os representa. Estas pessoas querem ser sujeitos da política, mas se sentem tratados como objetos

São várias as causas desta alienação. Acredito que o desvirtuamento da democracia representativa seja uma delas. Se este é o caso, é preciso re-mediar a situação — mas isto não se fará deixando os partidos de fora do processo.

As manifestações são um modo de o povo dizer aos partidos que não está sendo ouvido. Escutarão?

Para o bem da imperfeita democracia brasileira, espero que sim.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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