PORTO E CIDADE: Presente desperdiçado

Era o dia 5 de junho de 2009. No auditório da sede administrativa do Porto de Itajaí, o Conselho da Autoridade Portuária estava reunido para mais uma reunião mensal.

Mostra a ata daquela reunião que, entre os assuntos, estava a “segunda bacia de evolução […] para navios acima de 290 m”.

Naquela manhã, há mais de três anos, foi um relatório do então diretor comercial Robert Grantham que dominou os debates sobre o assunto. Intitulado “Visão dos Armadores sobre o futuro do Porto de Itajaí”, o documento traz declarações de representantes de diversos armadores. Da Hapag-Lloyd, vinha a assertiva de que navios com 300 metros de comprimento estavam nos planos de curto prazo. A MSC anunciava a tendência de operar com navios de 310 metros de comprimento e 40 a 45 metros de boca, com capacidade de até 7 mil TEUs. A APM Terminals informava que a Maersk traria para as águas da América do Sul navios de 7.400 TEUs até o final de 2010, e falava em bacia de evolução com 500 metros de diâmetro — um “grande desafio”, reconhecia.

Todavia, veio da CSAV a advertência provavelmente mais importante a ser registrada na ata:

“A CSAV reforça o compromisso com Itajaí e reitera que o Porto ainda encontra-se numa posição privilegiada […]. Mas essa posição não será mantida se Itajaí não se adequar às novas demandas que estão já batendo na porta. Se não se fizer nada para receber os grandes navios, Itajaí irá ficar de fora das rotas importantes de comércio, atendendo um mercado menor, que aos poucos também deverá migrar para navios maiores, uma vez que os fluxos crescentes de carga assim o exijam.”

Entre os comentários dos conselheiros, destaco este trecho:

“Sr. Amílcar Gazaniga é de opinião que a situação é complicada para atender os prazos dos navios, que é de vital importância para economia da região. Comenta que a comunidade e o conselho terão que planejar melhor as ações que o mercado necessita. Sr. Antônio Ayres dos Santos Júnior informa que contratou o Comandante Costa Neves para realizar estudos sobre a navegabilidade do canal e bacia de evolução em função das características dos navios programados para curto prazo operarem em Itajaí. Comenta ainda que apresentará os estudos sobre a possibilidade de três bacias de evolução para decidir qual será a melhor alternativa para o Porto de Itajaí.”

Foram-se três anos. Os navios, sempre maiores, estão, cada vez mais, passando ao largo do porto. Não foi por falta de aviso.

 

Para saber mais:

Conselho da Autoridade Portuária de Itajaí — Ata Sumária 172 — 159ª Reunião Ordinária

Autoridade Portuária de Itajaí busca adequar o complexo às tendências da navegação (site do Porto de Itajaí, 08/06/2009)

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

4 responses to “PORTO E CIDADE: Presente desperdiçado”

  1. Willian says :

    Uma pena as autoridades deixarem correr o tempo e nada fazer para deixar nosso porto competitivo!

  2. Piovesan says :

    Parabéns pela lembrança dos fatos ocorridos. Agora, temos um grande problema.

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