ITAJAÍ | Monstros no porto

Na última sexta, enviei para O Sol Diário um breve comentário sobre a situação do Porto de Itajaí.

Hoje, o amigo Raciel Gonçalves Jr. me avisou pelo Twitter que tinha lido o texto e que havia feito um post a partir dele.

Eis o que ele postou em seu http://raciel.posterous.com/:

Leio em O Sol Diário deste sábado/domingo (1º/2 de setembro), na área de Cartas, o seguinte texto:

O anúncio da recuperação do Berço 1 do Porto de Itajaí (O Sol Diário, 28 de agosto) vem em boa hora. Entretanto é preciso lembrar que há desafios de grande importância para o futuro da atividade portuária e da cidade, desafios que não são discutidos de forma transparente com o público. Está na hora de Itajaí debater abertamente os destinos do porto, antes que se aproveitem da nosssa inércia e decidam por nósAlexandre G. da Rocha – Itajaí”

Bem, pra quem não sabe, o Sr. Alexandre G. da Rocha é um dos Práticos do Serviço de Praticagem de Itajaí, e portanto, conhece bem as águas lodosas do nosso Rio Itajaí.

Entendo que o Prático Alexandre deve estar preocupado com os seguintes ítens:

1. O Déficit Orçamentário acumulado em 2012 de quase R$ 7 milhões;

2. A Dragagem de Manutenção (problemas com indefinição do volume a ser dragado e contestação do Edital, exigiu revisão e relançamento do mesmo, com abertura das propostas previstas para o dia 31 de julho último); e

3. As Restrições de calado, que limitam os volumes de cargas nos navios e consequentemente reduz o número de contêineres a serem movimentados, com reflexos direto na queda do faturamento para todos os players e aumento dos custos para os armadores, que são forçados a adequar os planos de estivagem às condições operacionais, resultando em “carga deixada” ou “rolagem para outros navios”, etc.

O Superintendente do Porto de Itajaí já se pronunciou oficialmente que será obrigado a ADOTAR MEDIDAS DE CONTENÇÃO DE DESPESAS.

Confesso que fiquei curioso para conhecer tais medidas e quais cabeças irão rolar…!? Em época de Campanha Eleitoral, alguém aí acredita que o Prefeito já convocou o Superintendente do “nosso” porto e já autorizou a degola dos “apaniguados”?

Com a palavra o Conselho de Autoridade Portuária.

Raciel faz algo de grande importância para ajudar a desenvolver a consciência das pessoas sobre a capacidade de o porto enfrentar os perigos que envolvem a aventura aquaportuária na região: ele dá nome a alguns destes abrolhos.

Perigo nomeado é perigo cartografado, conhecido, mais fácil de evitar ou enfrentar. Faz a especulação dar lugar à realidade. Deixa de ser monstro para ser problema.

O primeiro deles, o déficit de “R$ 7 milhões” — R$ 6,7 milhões até junho, segundo o superintendente do porto, Antonio Ayres dos Santos Júnior –, tem parte de sua origem na dificuldade de gerar receita. Em junho, foram apenas R$ 4 milhões. Entretanto, há também a questão dos gastos. Sobre isto o quadro ainda não é claro, pelo menos para quem olha de fora: em julho, Ayres disse ao Conselho da Autoridade Portuária que a situação levava a Autoridade Portuária a “adotar medidas de contenção de despesas”, mas não deu detalhes a respeito das ações tomadas.

Uma Autoridade Portuária deficitária tem sua independência para regular a vida do porto ameaçada, porque fica mais sujeita a cair presa de interesses econômicos ou políticos determinados a obter privilégios às expensas do interesse público. No limite, a realização de algumas de suas atividades pode passar a depender diretamente de patrocínio de partes interessadas em conduzir o porto numa direção que as favoreça. Em vez de servir à coletividade, o porto passa a funcionar para aqueles que podem paralisá-lo. Fica sendo nosso, mas só entre aspas.

O segundo e o terceiro tropeços podem ser considerados irmãos craniópagos. Sem dragagem de manutenção desde dezembro de 2011, o porto vai tendo o esforço de aprofundamento do canal sepultado, a pouco e pouco, pelo assoreamento implacável. Assim, a profundidade diminui, e com ele o calado. Num navio de 5.600 TEUs, cada centímetro perdido representa de 65 a 80 toneladas a menos de carga a bordo — sem contar o tempo perdido pela necessidade de esperar altura de maré suficiente para poder manobrar com segurança.

Deixar de manter a profundidade do canal prejudica a eficiência do Complexo Portuário e põe dinheiro público e privado a perder, o que em nada ajuda a Autoridade Portuária a conquistar ou manter serviços, sair do vermelho e romper a dependência.

O porto tem problemas. Não será com o uso do modelo mental que contribuiu para a criação deles que iremos resolvê-los.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

One response to “ITAJAÍ | Monstros no porto”

  1. raciel says :

    Olá, Alexandre!

    Perfeito! Uma coisa leva a outra e esperamos que leve ao centro da questão…

    [ ]’s,

    Raciel

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