OCEANOS: ONU quer economia verde no planeta azul

Deu em O Globo de 2012.01.25:

Preservar praias e mares deveria render dividendos em uma economia verde, afirma relatório divulgado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O estudo Green Economy in a Blue World [PDF] (economia verde em um mundo azul) conclui que a saúde ecológica e a produtividade econômica dos ecossistemas marinhos e costeiros – em declínio no mundo por causa da exploração insustentável – podem fornecer as bases para a nova economia, na qual há geração de energia renovável, ecoturismo, pesca e transportes sustentáveis.

A quantidade de nitrogênio que chega aos oceanos aumentou três vezes em relação aos níveis pré-industriais. O número pode crescer 2,7 vezes até 2050 se não houver mudanças na economia. Somente o uso sustentável de fertilizantes e de outros nutrientes para agricultura já ajudaria a reduzir os custos gerados pela poluição marinha. No caso da União Europeia, a economia seria de 80 bilhões de euros por ano.

Estima-se que 30% dos estoques de peixes do mundo estão sendo pescados numa velocidade maior do que eles conseguem se reproduzir. E que a exploração de metade dos peixes já está esgotada. A FAO e o Banco Mundial afirmam que a economia global pode ganhar até 50 bilhões de dólares anuais restaurando populações de peixes e reduzindo a capacidade de pesca a um nível ideal.

A pesca é um dos candidatos a viver o que se conhece como A Tragédia dos Comuns [vídeo], na qual a exploração desmedida de um recurso renovável torna este recurso não-renovável por prazo suficiente para provocar o colapso da atividade.

A exploração sustentável dos oceanos será um dos temas da Rio +20, daqui a cinco meses. O relatório pretender trazer para o Rio de Janeiro propostas de como garantir a economia verde no mar. O relatório examina, ainda, a situação dos pequenos Estados insulares, e indica caminhos para que eles reduzam sua vulnerabilidade ao aquecimento global.

Cerca de 40% da população global vive a cem quilômetros da costa. Os ecossistemas marinhos do mundo (chamado de mundo azul no relatório) fornecem abrigo, alimentação e meios de subsistência para milhões de pessoas. Mas os impactos da atividade humana começam a cobrar seu [preço], diminuindo a produtividade de oceanos no mundo. Cerca de 20% dos manguezais foram destruídos e mais de 60% dos recifes tropicais estão sob ameaça imediata e direta.

– A vasta gama de serviços do ecossistema, incluindo a segurança alimentar e a regulação do clima, fornecidos por ambientes marinhos e costeiros, [está] hoje sob pressão sem precedentes – disse o diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner. – Intensificar os investimentos verdes em recursos marinhos e costeiros reforçando a cooperação internacional na gestão destes ecossistemas transfronteiriços são essenciais para uma transição para baixo carbono.

A aquicultura, o setor de produção de alimentos que cresce mais rapidamente, está criando novos empregos e oportunidades comerciais. Mas, quando mal planejada, pode aumentar a pressão sobre os ecossistemas. A adoção de tecnologias verdes e investimentos em baixo uso de combustíveis fósseis reduziriam drasticamente a pegada de carbono do setor.

O relatório defende, ainda, o fortalecimento de agências regionais e nacionais de pesca, bem como de associações comerciais de pesca e de cooperativas.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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