BELO MONTE: O surto da gota d’água

Do Blog do André Henrique, o Via Política, vem este post que merece atenção:

Tenho observado com preocupação um fenômeno que foi amplificado com o advento das redes sociais: o agrupamento de massas em torno de uma causa bonita por fora e oca por dentro.

Através da internet é possível mobilizar milhares em torno de uma causa. As pessoas têm necessidade de estarem engajadas em alguma coisa. Isso é bom. Mas é ruim também – sobretudo quando os indivíduos entram em determinadas causas sem se preocuparem em conhecê-las a fundo. Por esses dias, artistas da TV Globo iniciaram uma campanha na qual eles gravam depoimentos em protesto contra a construção da futura hidroelétrica Belo Monte. Eu assisti ao vídeo. Um teleteatro de primeira. Teve de tudo. Maitê Proença quase ficou pelada – infelizmente, ela não leva muito a sério esse papo de vida natural. Os artistas leram TP e – pasmem!!! – atuaram. Saldo: pouco conteúdo e muita encenação.
 
Não existe ação sem meios de ação. Por que a Globo entrou nessa jogada só agora? Os artistas, 15 dias antes de gravar o vídeo, sabiam a diferença entre Belo Monte e uma marca de margarina? Quem financia a campanha e quais são seus interesses? São apenas questionamentos que necessitam de resposta. Quem financia o Gota D’Água? Entrei no site do movimento e não vi um mísero texto que contemple detalhes técnicos, econômicos, ambientais e políticos, que justifiquem a paralisação das obras da Belo Monte. Só tem propaganda política lá: “ah, assine a petição e salve o planeta”. Catastrofismo vagabundo. Manipulação perceptível a qualquer adulto de 13 anos. Bravata política. Nada mais. Cadê os argumentos recheados de fatos, dados e, de preferência, contrapondo-se aos argumentos favoráveis à construção? Só responderam batatas com batatas.
 
E, ainda assim, uma penca adere à campanha sem pestanejar. Aposto meu pulso esquerdo que a maioria curtiu a campanha sem estudá-la e sem ler um artigo sério a respeito do assunto. Chavões ideológicos bastam aos incautos. Vejo essas campanhas com desconfiança. Não estou defendendo a construção da Belo Monte. Minha crítica nem é ambiental. O que me incomoda é fato de o Tesouro arcar com a maior parte do custo da hidroelétrica, ou seja, o contribuinte vai pagar a conta. Assim como no trem bala (que apenas serviu de propaganda política para o governo), o governo petista demonstrou tremenda incompetência e várias empresas não quiseram assumir a obra devido aos preços exorbitantes. A rede globo não trata o assunto com seriedade. Eu gostaria de saber a posição da mesma sobre as ONGS ambientalistas que estão a serviço de empresários estrangeiros ávidos por prejudicar nossa agricultura. Essas Organizações não Governamentais financiadas por ricaços que sonham com o governo global financiam o Gota D’Água? Os simpatizantes do movimento devem fazer esses questionamentos.
 
É perigoso o arrebatamento de massas em torno de uma causa bonitinha que esconde monstrinhos dentro de si. Antes de aderir a uma causa é necessário enxergá-la além das aparências. Existe uma máxima: “são nos pequenos frascos que se escondem os melhores perfumes”. Refaço-a: “são nos belos frascos que se escondem os piores venenos”. No Brasil, recentemente, em nome dos direitos humanos, grupos defenderam censura da imprensa, legalização do aborto e a legalização das invasões de propriedades privadas. Grupos escolhem uma causa “universal” para toldar interesses corporativos e arregimentar massas. Reitero: questionar não ofende. Quais os interesses da rede Globo em parar a construção da Belo Monte? Questionar os gastos e a inviabilidade ambiental da obra é legítimo, desde que o façam com argumentos sólidos e não com sensacionalismo barato. E mais: os globais precisam provar àqueles pobres do Norte que eles vão se beneficiar com o desenvolvimento econômico gerado pela energia dos ventos e do sol. Boa sorte a estes baluartes da retórica fácil.
 
Só uma coisa a dizer a quem toma partido de uma causa ao arrepio da aparência: nem tudo que reluz é ouro.
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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

10 responses to “BELO MONTE: O surto da gota d’água”

  1. Rui says :

    Tem gente tão burra que desvia a discussão sobre Belo Monte para discutir credibilidade de atores da Globo. Obtusidade, a gente ve por aqui.

    • Presley Alan says :

      Não sei se você percebeu, mas o foco principal não é a discussão de Belo Monte em si. O autor até deixa claro que não é a favor. Você só deveria prestar atenção aonde ele quer chegar, que são nos INTERESSES da Globo que não são voltados a massa. E depois o autor que é burro…

      • Rui says :

        Como eu disse, DESVIAR o assunto principal, que é Belo Monte, para discutir credibilidade da Globo ou de artistas, é burrice. Precisa de um desenho pra explicar isso?

    • Alexandre da Rocha says :

      Atacar o autor não basta para lançar seus argumentos — que giram não em torno de Belo Monte, mas do envolvimento de cidadãos, que por acaso são atores da Globo — na lata do lixo. É preciso coisa melhor, e há.
      Meu objetivo ao colocar este post no blog é oferecer espaço seguro para que as pessoas compartilhem opiniões e conhecimentos. Petardos ad hominem vão contra este objetivo.

  2. Daniel says :

    Hum… se eu bem entendi o texto, a discussão é em torno dos ARGUMENTOS utilizados para questionar a construção da usina.

    Me parece que o preocupante aqui é o arrebatamento de milhares de pessoas sem apresentar argumentos sólidos e sem que estas pessoas se preocupem em buscar informações mais confiáveis ao aderir a campanha.

    Há um jeito bem simples de verificar se a população é contra ou a favor da construção da usina: a) deixar o sudeste uma semana sem nenhuma energia elétrica, e b) pergunte o que a população pensa sobre construir ou não Belo Monte.

    É muito fácil “pagar de ecologicamente correto”, mas sem abrir mão do ar condicionado, TV, computador ou geladeira funcionando…. Pra tudo tem um preço, e o que se avalia é se o preço vale ou não a pena ser pago.

    • Rui says :

      Não sei em que tipo de burrice posso qualificar um argumento que diz que seria SIMPLES deixar o sudeste uma semana sem energia elétrica.

      • Daniel says :

        Há um jeito bem simples de verificar se a população é contra ou a favor da construção da usina….

        É bem diferente de dizer que é bem simples deixar o sudeste uma semana sem energia elétrica.

        Ainda, classificar como BURRICE a opinião alheia…, ja entendi que é a hora de silenciar, até porque não é este meu método de discutir opiniões.

        Bom debate aos que ficam!

    • Alexandre da Rocha says :

      Daniel,

      O “arrebatamento de milhares” que você, corretamente, identificou na causa contra Belo Monte sucede também em relação à posição pró-Belo Monte.
      Quem perde com isto é o Brasil, que deixa de saber, por exemplo, que a usina é apenas a primeira de cinco a serem construídas ao longo do Xingu (sem elas, Belo Monte operará com, em média, 40% da capacidade instalada, por conta do regime de chuvas da região).
      Quanto à sua proposta para verificar a opinião da população, é preciso ter em conta que a forma como se faz a pergunta direciona a resposta. Isto é precisamente o que a sua sugestão faz.
      De resto, estou de acordo em que é preciso discutir a justiça de Belo Monte.

  3. Anônimo says :

    enquanto voces discutem essa porra dessa Usina a Chevron causou o maior desastre ambiental da hsitoria do país, porque estava tenatndo chegar ao pré-sal. Se liguem!!
    http://www.viomundo.com.br/denuncias/fernando-brito-omissao-criminosa-da-chevron-texaco-com-indulgencia-da-nossa-imprensa.html

  4. Sérgio Paes says :

    Existem vidas em jogo. É importante que artistas mostrem sua opinião sobre questões nacionais. Se desenvolvem bem ou não a tese, antitese e conclusão isso é secundário. Não são especialistas, técnicos ou jornalistas. Achei fraca a campanha mas apoio! Eu também não entendo tudo sobre energia e meio ambiente, agronegócio e desenvolvimento sustentável, mas não é por isso que vou me calar perante os fatos que estão ocorrendo em Altamira e região. Até a prefeitura de lá, já pediu na justiça a paralisação dessa obra porque já estão percebendo que Belo Monte não é o mar de rosa prometido para a sua população que já enfenta sérios problemas de moradia, saúde e trabalho.

    Outra questão: a campanha não é da Globo. E eles não estão recebendo cachê. A iniciativa são dos próprios atores. Boa encenação e pouco conteúdo, mas não deixa de ser oportuna a campanha.

    Em tempo: tem gente querendo transformar apagões em bicho papão, crimes socioambientais em desenvolvimento para o Brasil, redes sociais em expressões invalidas e ignorantes. Eu não quero na minha casa essa energia a custo da vida e cultura dos verdadeiros protetores da floresta.
    Nosso país precisa de outro tipo de planejamento para crescer.

    Devemos servir de exemplo contra o esse capitalismo devastador que dissimina injustiças por onde passa. O exemplo que leva em conta o respeito aos direitos de povos originários e que tem o dinheiro de impostos a serviço do seu povo e não contra ele. Abram os olhos: o PAC da Dilma é para escoar bastante dinheiro entre as obras e as proximas eleições. Um projeto para mantê-los no poder por muito tempo. E é por isso que se fala em apagões amedrontando quem vive nas grandes cidades… Se você for ver de perto, e se interessar pelo assunto, vai desmascarar esse bicho papão.

    Votei errado. Me sinto traído por um governo que usa roupagem de esquerda e está se saindo pior que os conservadores liberais e generais da Ditadura.

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