VAZAMENTO NO FRADE | Mentiras em águas profundas

No último dia 8, a plataforma de perfuração para águas profundas SEDCO 706, operada pela gigante petrolífera norte-americana Chevron estava abrindo um poço de avaliação. Quando a sonda estava a cerca de 1.150 metros de profundidade, a pressão no poço se tornou excessiva, levando ao surgimento de fraturas na rocha adjacente e no leito do oceano, iniciando o vazamento.

A indústria petrolífera ficou em silêncio.
Foi preciso que a organização não-governamental SkyTruth anunciasse, no dia 10, que imagens de satélite revelavam a existência de uma mancha de petróleo de mais de 50 quilômetros de extensão na superfície, para que a história finalmente viesse a público.
Inicialmente, a Chevron afirmou que o vazamento tinha causas naturais. Emparedada pela presidente Dilma Rousseff e pela evidência vinda dos satélites da NASA, a agência espacial dos EUA, capitulou.
Agora, a petrolífera está debaixo de fogo por outro motivo: a quantidade de óleo que ganhou o Oceano Atlântico. Segundo ela, escapam para o mar algo entre 27 e 45 toneladas por dia. No entanto, a SkyTruth calcula que o vazamento chegue a 500 toneladas diárias — o que daria 4.000 toneladas desde o início da crise em Frade.
Quando se sabe que a operadora da plataforma é a Transocean, a mesma que operava a plataforma que explodiu no Golfo do México em abril de 201o; que a Chevron está tentando cimentar o poço, prática que indica perda de controle sobre a situação; e que a cobertura da mídia pátria sobre o que acontece em Frade está essencialmente limitada a material fornecido pela própria Chevron, é o caso de se preocupar.
Espera-se que a União aja com a transparência e energia necessárias para que os brasileiros saibam precisamente o tamanho e as repercussões da ocorrência, poupando a sociedade de lorotas sujas de petróleo.

 

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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