PORTO DE ITAJAÍ | Esqueceram de nós

O post que reproduzo a seguir, originalmente publicado hoje, 7 de novembro, em http://www.portogente.com.br/comente/index.php?cod=57876, toca num aspecto pouco comentado e, segundo penso, relevante para o entendimento da encrenca da greve dos conferentes — a (falta de) atitude da Secretaria Especial dos Portos.

Ao trazer este texto para o blog, o que pretendo é abrir espaço para o debate, que tem tido, em geral, pouco espaço na imprensa e qualidade sofrível, com acentuada prevalência da questão econômica sobre os demais.

Para mim, esta greve tem dimensão política. Nenhuma acusação há nisto: trato simplesmente de reconhecer que estão em jogo relações de poder, especialmente as que envolvem trabalhadores, Autoridade Portuária, APM Terminals, o Órgao Gestor de Mão-de-Obra (OGMO) e a SEP, que representa a União. Entretanto, as ações deste último sugerem que a situação em Itajaí não lhe diz respeito: evidencia isto o mutismo em relação ao pedido de intervenção federal feito pelos grevistas.

Bom, chega de tagarelar: ao post!

Há dez dias ocorre uma greve no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, com a paralisação das atividades dos conferentes. O movimento conta com o apoio, também, dos amarradores, estivadores e vigias do complexo portuário catarinense, segundo presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga de Itajaí e Florianópolis, Laerte Miranda Filho.

O estranho nessa história toda não é a greve da categoria, não é até a intransigência da multinacional APM Terminals, cuja acionista majoritária é a Maersk, mas o silêncio de cemitério do ministro dos Portos, Leônidas Cristino. Até agora o mundo portuário, do lado empresarial e do lado trabalhista, não foi “acalentado” por uma palavra sequer do ministro. Para o que interessa, pelo que estamos vendo, o ministro dos Portos continua calado.

Esperamos, ainda, que o silêncio ministerial constrangedor não tenha a “desculpa” de que a Autoridade Portuária do Porto de Itajaí está delegada ao município. Alegar isso seria, no mínimo, e para não ofenderemos os internautas com palavras aflitivas, ingenuidade.

O que acontece nos portos brasileiros, sejam eles federais, estaduais, municipais ou privativos, está entre as “atribuições” do ministro que está à frente da Secretaria de Portos.

No entanto, enquanto a situação ferve em Itajaí, o ministro arruma as malas e vai para Pernambuco participar da festa de aniversário do Complexo Industrial Portuário de Suape.

Nada contra as festas, as comemorações do que é bom e dá certo, mas o ministro dos Portos não pode agir, neste momento, como se tudo estivesse [às] mil maravilhas no setor coberto pela sua pasta.

Ministro, o que pedem os trabalhadores portuários brasileiros submetidos ao regime de uma grande empresa, com sede na Holanda? Veja só, ministro Leônidas Cristino, eles pedem o cumprimento das leis brasileiras. A Secretaria de Portos ainda acha que esse problema não tem nada a ver com ela? Se sim, que venham os canapés de Suape!

Anúncios

Tags:, , , , , , ,

About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

One response to “PORTO DE ITAJAÍ | Esqueceram de nós”

  1. João Freire says :

    Concordo com quase tudo que está escrito, menos o último paragrafo, onde o certo seria:
    Como pode uma cidade com 190 mil habitantes ficar com a economia a mercê de um pequeno grupo de intransigentes, que só pensam neles, ganham muito mais que os outros trabalhadores portuários e querem forçar a APM Terminals a mantê-los nesse status quo ?
    A justiça já deu seu parecer para a APM Terminals, que está oferecendo o mesmo que a Portonave oferece, porque os conferentes só paralizam o porto de Itajaí ?
    Porque nunca teve greve em Navegantes ?
    Tem algo estranho nisso tudo…
    Quem vai sofrer a médio e longo prazo é a economia de Itajaí, os armadores vão migrar para outros portos menos problemáticos, tenham certeza…

%d blogueiros gostam disto: