ITAJAÍ | Líder dos conferentes: em 12 anos, a APM só ganhou

Vera Gasparetto, de Florianópolis/SC | PORTOGENTE, 2011-11-04

O presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga de Itajaí e Florianópolis, Laerte Miranda Filho, conversou com Portogente sobre a greve da categoria que começou no dia 27 de outubro e segue por tempo indeterminado. A multinacional APM Terminals, com sede na Holanda e que tem como maior acionista a Maersk, detém o monopólio das operações no Porto Público de Itajaí, em Santa Catarina.  Miranda diz que a empresa pratica chantagem com os trabalhadores e desrespeita o Estado brasileiro ao descumprir as leis e não dialogar como a entidade de trabalhadores e ignorar as autoridades.

Portogente – Por que a greve?
Laerte Miranda Filho –
 A patronal está irredutível e não conseguimos chegar num entendimento. Numa pauta de 16 itens, barramos no índice de 7% do INPC acumulado e o cumprimento da cláusula 35ª da convenção de trabalho, que estabelece que por seis meses a não contratação por vínculo para criar as regras para essa modalidade de contrato.

Portogente – Como tem se posicionado a direção do Porto nesse impasse?
A autoridade portuária tenta intermediar porque hoje o porto público é operado pela APM Terminals. Porque só temos um operador portuário, que está dentro do porto público de Itajaí e não no porto deles. A área do porto deles caiu com a última enchente que tivemos e eles não reconstruíram, estão no berço público de Itajaí.

Portogente – Quais as consequências de ter somente um operador no Porto Público de Itajaí?
Se tivéssemos outro operador teria concorrência, esse monopólio ocorre desde que se instalaram em Itajaí. Há um tempo tinha aqui mais de 20 operadores, mas depois que foi privatizado, arrendado o terminal para a APM, correram com todos.

Portogente – O que significam essas práticas para o porto público?
São tantas as regalias que a APM tem. O berço caiu, problema é deles, o trabalhador não tem culpa. Foi um acidente da natureza. Quando o berço público de Itajaí caiu com a enchente em 2008, o Governo Federal veio e recuperou o porto público. A APM quando arrendou o porto deveria ter feito a reforma no seu berço, investir. São 12 anos e nunca moveram uma estaca ou fizeram algum investimento para reforçar o porto. Até agora só ganharam.

Portogente – A greve beneficia os demais portos da região?
As cargas estão sendo desviadas para São Francisco e para a Portonave e nessa história poderemos perder até alguns armadores que não retornarão mais para Itajaí.

Portogente – Qual o impacto da greve na economia da região?
Os trabalhadores gastam o que ganham aqui na região. Diferente da APM, que o que ganha e arrecada manda pra fora do Brasil.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

One response to “ITAJAÍ | Líder dos conferentes: em 12 anos, a APM só ganhou”

  1. Daniel says :

    Muito bem! Quando conseguirem o reajuste pretendido, não haverá pagamento de salários, porque não haverá mais armadores a atracar no Porto de Itajaí.
    Quanto as regras para contratação de mão de obra com vínculo empregatício, não houve tempo ainda para sua criação? Se a APM está operando em Itajaí há doze anos, significa que alguém não teve boa vontade ainda em sentar e negociar tais regras. Ademais, o que não foi feito em doze anos, poderá ser feito em seis meses? A manutenção desta cláusula me parece um mero instrumento protelatório, para não resolver um problema que já deveria ter sido resolvido há tempos.
    No impacto para a região, esqueceram-se de dizer que os trabalhadores ganham se a APM Terminals ganhar! Todos estão no mesmo barco e não estão enxergando que já está fazendo água. Quando soçobrar de vez, veremos em quem o movimento grevista colocará a culpa.

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