ITAJAÍ | De olho no porto

No meio do caminho tinha uma pedra

Uma formação rochosa de cerca de 7,7 mil metros cúbicos pode comprometer irremediavelmente o andamento da dragagem de aprofundamento do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes, paralisada desde o dia 15 de julho.

Descobriram a pólvora

Segundo a companhia belga Jan de Nul, responsável pela execução da obra, o material de maior dureza encontrado no leito do rio Itajaí-Açu não pode ser retirado a frio. Em outras palavras, seria necessário explodir a rocha para removê-la.

É grande mas não é duas

A Jan de Nul esperava que o peso e a potência da draga “Charles Darwin”, uma das maiores do mundo, fossem suficientes para conseguir remover a rocha. Deu certo até certo ponto — 30 mil metros cúbicos foram derrocados.

Saída à belga

Vencida, a draga de R$ 350 milhões deixou o porto no último sábado (13), com destino a Rio Grande, onde chegou por volta das 12 h do domingo (14). Sua partida sem alarde contrasta com o destaque dado à chegada dela.

Desacordo com o cronograma

Uma draga da mesma companhia, de menor porte, deverá completar o aprofundamento a 14 metros, mas sua chegada só deve ocorrer em setembro — mês no qual a dragagem deveria estar terminando, de acordo com o contrato.

Déjà vu?

Desde as enchentes de 2008, é a terceira vez que Itajaí tem problemas com a dragagem. Em 2009, nem o Consórcio Draga Brasil nem a Bandeirantes lograram devolver ao porto os antigos 11 m de profundidade mínima.

Questão explosiva

A derrocagem com explosivos tem custo de 20 a 30 vezes superior ao da dragagem de areia. Por isto, a Jan de Nul pleiteia junto a Brasília um aditivo ao contrato, de modo a ajustá-lo ao que consideram ser a nova realidade.

Bronca geral

Os concorrentes não gostaram. Alegam que os belgas ganharam a licitação justamente porque evitaram a derrocagem “a frio”, sem explosões — segundo eles, a Jan de Nul tinha o pior preço para dragar areia e lama.

Noite e dia

Armadores associados ao Centronave reclamam dos limites para manobras noturnas em Itajaí e Navegantes. Alegam que navios de mais de 4 mil TEUs perdem muito tempo por não poderem entrar e sair de noite. E notam que isso não é problema em Itapoá.

SOB VOLTA: Depois de dois fechamentos de barra e vários dias de manobras em horários limitados, o Complexo Portuário do Itajaí finalmente entenderá que precisa aprender a prever o comportamento do rio Itajaí-Açu?

Anúncios

Tags:, , , , , ,

About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

5 responses to “ITAJAÍ | De olho no porto”

  1. Porto says :

    Foram derrocados 30.000, faltam 7.000

    • Alexandre da Rocha says :

      Ouvi a gravação da reunião (de onde extraí a informação) e continuei com o entendimento que exprimi no post. Entretanto, falei com o responsável pela fiscalização da dragagem e ele me disse que faltam de fato uns 7700 metros cúbicos de material, 7000 deles entre 14 e 15 m de profundidade.

    • Alexandre da Rocha says :

      Confirmada a sua informação, como indiquei na minha resposta acima, vou retificar a matéria. Obrigado pela contribuição!

  2. Porto says :

    🙂 . Séria necessário também verificar o discurso do prazo…

    • Alexandre Rocha says :

      O prazo originalmente previsto no contrato era de seis meses — o que levaria a setembro. Disseram-me, ainda em julho, que a Secretaria Especial de Portos estaria esperando a conclusão da obra para novembro, o que faria sentido: a dragagem ainda deve ficar parada por pelo menos mais 15 dias, e a estima que tenho é de que faltariam 45 dias para o final dos serviços.

      Há três problemas aí:

      1. O assoreamento do canal fará com que seja preciso dragar para recuperar a profundidade perdida — há registros de -13,80 m no canal externo, e o sedimento está decantando no canal interno. Com isto, haverá certa perda de tempo.

      2. A draga que vier será menor que a Charles Darwin, o que também deve provocar algum atraso em relação ao andamento inicialmente esperado.

      3. Não se sabe ainda quanto tempo mais pode decorrer até que saia o aditivo, ou se ele sairá Na reunião do CAP, houve conselheiro falando que perdeu as esperanças de ver a obra pronta ainda neste ano.

      Eu poderia escrever mais aqui, mas aí vira outro post. 🙂

%d blogueiros gostam disto: