LOGÍSTICA | Impasse com a Argentina “prende” 13 mil carros em Paranaguá

Cristina Rios | Gazeta do Povo, 2011.07.30

Milhares de automóveis estão parados nos portos por causa do impasse das licenças não automáticas entre Brasil e Argentina. As medidas foram impostas pelos dois governos e atrasam a liberação de mercadorias no comércio entre os dois países. Estima-se que 25 mil carros estejam “presos” nos terminais portuários de Parana­guá, Santos (SP) e Vitória (ES).

Em Paranaguá há 13 mil veículos parados, o dobro da capacidade do porto – os dois pátios destinados para automóveis têm capacidade para 6,5 mil unidades. Segundo a superintendência da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), os veículos estão sendo acomodados em outros locais improvisados ao longo do cais, mas a situação é crítica. “Não há espaço para tantos veículos. Os carros estão aguardando em áreas que não são próprias para eles. A demora na solução do problema é preocupante”, diz Aírton Vidal Maron, superintendente da Appa.

De acordo com Maron, a direção do porto terá de improvisar mais uma área para receber mais 2,5 mil veículos. “Somente um navio da Fiat, com 2 mil carros, deve chegar no próximo dia 8 a Paranaguá”, afirma. Maron diz que a Fiat não costuma usar Paranaguá, mas a montadora está com problemas para achar espaço em outros terminais. A Fiat chegou a dar férias coletivas na Argentina por conta do elevado estoque de carros no país vizinho.

A Renault tem cerca de 5 mil veículos presos em Paranaguá e outros 1,5 mil a 2 mil veículos no porto de Vitória (ES), segundo Alain Tissier, vice-presidente da Renault do Brasil. “Paranaguá está lotado e Buenos Aires também. Chegamos a ter 8 mil carros bloqueados. Conseguimos liberar um pouco, mas a situação continua crítica”, afirma. A medida afeta, por exemplo, as importações do Clio, carro de entrada da marca, e do sedã Fluence, ambos produzidos em Córdoba. “Regredi­mos 15 anos no comércio entre os dois países”, critica.

As restrições, embora prejudiquem principalmente os carros da Argentina, também atingem as importações do México. Estima-se que a Nissan tenha entre 2 mil e 3 mil carros presos nos portos para liberação. No porto de Santos, a Santos Brasil, que opera com um terminal privado de carros, está com o pátio com capacidade para 7,5 mil veículos cheio. A Deicmar, que também atua em Santos, tinha 1,8 mil veículos da Fiat no mês passado aguardando liberação. O porto de Vitória chegou a ter 8,5 mil veículos no seu pátio no mês passado.

Histórico

As restrições começaram em maio, quando o Brasil deixou de conceder licenças automáticas para a importação de automóveis, autopeças, pneus, produtos têxteis e de linha branca. A mudança foi uma resposta ao país vizinho, que em fevereiro passou a impor barreiras aos produtos brasileiros.

Na prática, a medida aumentou a burocracia para a importação desses produtos. Ao não conceder licença automática às mercadorias da Argentina, o governo brasileiro tornou mais lento o processo de importação. Em condições normais, o processo de nacionalização de carros e peças em solo brasileiro demora cerca de dez dias. Mas, com as licenças não automáticas, esse período pode chegar a 90 dias.

O comércio de veículos e autopeças é responsável por 50% das trocas entre os dois países, que no ano passado somaram US$ 33 bilhões.

Aumento

As restrições ocorrem em meio ao crescimento do comércio de automóveis entre os dois países. A Argentina representa 90% da movimentação de veículos no Porto de Paranaguá. De janeiro a junho desse ano, o fluxo de automóveis aumentou 38%, para 95.203 mil carros. Em 2010 foram 190.040 mil veículos, 39% mais do que no ano anterior. Do total, 91.164 foram importados e 98.876, exportados.

O governos do Brasil e da Argentina chegaram a firmar um acordo de paz em junho, com a promessa de liberar gradualmente as licenças, mas até agora o fluxo normal não foi retomado. Procurado, o Terminal de Contêi­ner de Paranaguá (TCP) não retornou o pedido de entrevista até o fechamento desta edição.

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?id=1152472

 

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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