JAPÃO | A batalha para estabilizar os reatores de Fukushima

O texto a seguir é uma adaptação para o português do artigo “Battle to stabilise reactor”, da World Nuclear News

Três dos seis reatores da usina de Fukushima Daiichi estavam em operação no momento do terremoto de ontem (11).  Como resultado do abalo, sistemas automáticos de parada de segurança entraram em funcionamento. Um dos sistemas acionados com sucesso foi o que cuida de retirar dos equipamentos o calor residual, com o auxílio de geradores movidos a diesel. Porém, esses geradores subitamente pararam de funcionar cerca de uma hora depois do tremor — fato atribuído pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) à inundação provocada pelo maremoto subsequente.

A queda dos geradores levou a Tokyo Electric Power Company (Tepco), proprietária da usina, a notificar o governo sobre a existência de uma situação de “emergência técnica”, o que permite às autoridades tomar medidas de precaução adicionais.

Por várias horas o foco do trabalho no local foi conseguir ativar um número suficiente de módulos portáteis de energia para substituir os geradores e retomar a plena operação do sistema de resfriamento.

Panela de pressão

Sem energia suficiente para acionar o resfriamento, a dissipação de calor dos reatores 1, 2 e 3 veio reduzindo os níveis de fluido refrigerante por evaporação. O aumento de pressão resultante no circuito de refrigeração pode ser compensado por meio de válvulas de alívio, mas produz como efeito colateral um crescimento na pressão dentro da contenção do reator. Segundo informou a Tepco, o nível no contentor do reator Fukushima Daiichi 1 chegou a ser de 840 kPa — mais de 2 vezes o nível de referência, de 400 kPa.

A companhia decidiu “resolver” o problema liberando, de forma “controlada”, ar e vapor d’água para a atmosfera. Uma vez que este vapor passou pelo núcleo do reatores como água, sua liberação acarretaria também vazamento de radiação para a atmosfera. Foi o que efetivamente sucedeu no reator número 1 e era o que seria feito nos outros dois reatores.

Explosão

Câmeras de TV filmaram uma explosão dramática no edifício que abriga o reator 1 por volta das 18 h (fuso local). Em meio a uma notável nuvem de vapor d’água e poeira, não foi possível determinar a extensão dos estragos. A construção não faz parte da contenção do reator, feito para impedir que o ar do interior escape para o ambiente.

Um trabalhador da Tepco, gravemente ferido pela explosão, chegou a ser socorrido, mas acabou falecendo. Pelo menos seis pessoas ficaram feridas.

Em pronunciamento na TV, o secretário-chefe do gabinete japonês, Yukio Edano, esclareceu que a explosão danificou as paredes exteriores e o teto da contenção, sem rompê-la.

Antes, o monitoramento do reator Fukushima Daiichi 1 já havia mostrado um incremento na radiação emitida usina através do canal de descarga e da chaminé, razão pela qual a Tepco afirmou que a quantidade de material radioativo detectado estava aumentando. Até o momento da publicação deste texto, o nível de radiação punha o incidente no nível 4 (acidente de consequências locais) da Escala Internacional de Incidentes Nucleares , levando o governo a adotar todo um novo conjunto de medidas de emergência.

Para proteger o público de potenciais prejuízos à saúde causados por elementos como o iodo-129, as autoridades estavam se preparando para distribuir tabletes de iodeto de potássio não-radioativo. O sal é rapidamente absorvido pelo organismo e impede que o iodo-129 se ligue as células, especialmente as da glândula tiróide.

Nas últimas horas, diversas ordens estenderam a área de evacuação dos moradores, que agora tem um raio de 20 quilômetros a partir da usina.

Injeção de ânimo

A injenção de água no reator Fukushima Daiichi 1 começou às 20:20 h (fuso local). Eventualmente, haverá adição de ácido bórico, usado para inibir reações nucleares.

A Tepco teve de suspender a operação for algum tempo, em razão de um novo alerta de tsunami, mas foi retomado após o cancelamento do alarme

Temperaturas elevadas

Entrementes, na usina de Fukushima Daini, outra emergência técnica envolvia os quatro reatores, também em virtude de falha na refrigeração. A unidade mais afetada foi a de número 1, onde a temperatura na câmara de supressão de vapor, parte do subsistema de condensação que ajuda a resfriar o reator, atingiu 100 graus Celsius às 05:32 h (fuso japonês).

A Tepco informou que iniciaria os preparativos para “liberações controladas” da pressão excessiva nas contenções dos quatro reatores — a exemplo do que foi feito no reator 1 de Fukushima Daiichi.

No momento, há uma zona de evacuação em torno da usina de 3 quilômetros de raio.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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