Aeroportos: piores e (ainda) mais caros

Eduardo Tessler | De Porto Alegre (RS)

Agora é oficial: a partir de 14 de março a taxa de embarque nos aeroportos do Brasil vai ficar mais cara. De R$ 19,62 vai para R$ 20,65 em voos nacionais e de R$ 60 para R$ 66 nos internacionais. O serviço está a cada dia pior, filas para tudo, banheiros sujos, faltam assentos nas salas de espera, poucas esteiras para bagagem, ineficiência administrativa para acomodar os vôos, e o preço ainda vai subir.

No ano passado 26,7 milhões de passageiros utilizaram o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, São Paulo – o maior do Brasil. Esse exército deixou nos cofres na Infraero a bagatela de mais de R$ 940 milhões. Esse orçamento, que seria comemorado pela grande maioria das empresas brasileiras, lamentavelmente ficou em algum lugar entre a burocracia de Brasília e a má gestão de Cumbica. Nada foi reinvestido em melhorias do terminal, que continua ostentando o título de quarto pior aeroporto do mundo, à frente apenas de Bucarest, Istambul e do terceiro aeroporto de Paris (Beauvais), segundo o site eDreams. E é o terceiro pior em pontualidade dos voos, de acordo com levantamento da Forbes. Ou seja, nada funciona em Cumbica.

Esse assalto oficial aos passageiros que não têm outra opção é um dos maiores escândalos do Brasil. Para onde está escoando esse dinheiro? Por que ninguém garante o reinvestimento em infraestrutura?

Quando o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, listou os três maiores problemas para o Brasil sediar a Copa de 2014, muita gente se surpreendeu ao escutar “aeroporto, aeroporto e aeroporto”. Teixeira, na verdade, apenas estava traduzindo a opinião da grande maioria dos passageiros.

Talvez uma das explicações para a ineficiência da Infraero seja exatamente a sua estrutura. A estatal tem 29 superintendências, cinco diretorias, mais o procurador jurídico e o presidente. Traduzindo, apenas no alto escalão são 36 pessoas. Esses gestores, escolhidos para os cargos (não concursados), foram responsáveis por um déficit primário de R$ 154 milhões em 2009.

Uma máquina que arrecadou em transporte de passageiros mais de R$ 3 bilhões em 2010 consegue fechar balanços no negativo. Tente abrir uma loja em qualquer aeroporto brasileiro. Você verá que custo do aluguel do metro quadrado é bem maior do que no melhor ponto da cidade. Onde está o dinheiro?

Não é possível assistir a esse escândalo de braços cruzados. Agora, com o aumento das tarifas – que já são abusivas – o que vai ser feito com o dinheiro que jorra nos cofres da estatal?

A palavra está com os 36 executivos que não conseguem melhorar os aeroportos do Brasil. A responsabilidade é deles. Ao passageiro, sem opção, resta pagar as taxas e ficar quieto.

Eduardo Tessler é jornalista e consultor de empresas de comunicação. Edita o blog Mídia Mundo.

 

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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