AQUAVIA | Escassez de marítimos: fato ou ficção?

Blog Mercante, 2010.10.28

Recentemente, o Sindicato dos Armadores (Syndarma) publicou pesquisa na qual apontava falta de oficiais de marinha mercante e citava a hipótese de um “apagão marítimo”. Em resposta, o Sindicato dos Oficiais de Marinha (Sindmar) elaborou estudo com a conclusão contrária: não haveria escassez de pessoal para tripular navios de bandeira brasileira.

Mas o Syndarma não se contentou com a situação. A entidade patronal está fazendo um novo estudo, no qual traz para debate conclusões da análise do Sindmar. “Não queremos provar, filosoficamente, que um estudo é melhor que o outro. Temos certeza de que há falta de pessoal e pretendemos agir, de forma pragmática, para resolver o problema”, disse uma fonte do Syndarma.

Ao mesmo tempo, a Marinha do Brasil resolveu se envolver mais diretamente na questão. Responsável pela formação de pessoal marítimo, a força armada decidiu participar dos debates e agir de forma pró-ativa, sem esperar passivamente por conclusões e debates externos. Tudo indica que a idéia de se criar uma nova escola de marinha mercante – além das existentes no Rio e no Pará – caminha a passos largos. A nova instituição poderia ser localizada no Sul ou no Nordeste – as atuais estão no Rio de Janeiro (Ciaga) e em Belém do Pará (Ciaba).

Extra-oficialmente, comenta-se que, pelo novo estudo do Syndarma, já haveria falta de 200 oficiais de marinha mercante e, em 2013, ocorreria carência de 780 oficiais de marinha mercante. Duas soluções são apontadas pelos especialistas: suspensão da resolução 72 do Ministério do Trabalho, que obriga o uso de marítimos nacionais em barcos de apoio estrangeiro; e medida mais radical, a ser adotada apenas em caso extremo: permissão para trabalho no Brasil de marítimos estrangeiros. “Isso pode ser antipático, mas pior é ver navios novos parados por falta de tripulantes”, disse a fonte.

Uma questão delicada é a participação das mulheres. No Brasil, elas já ocupam mais de 35% das vagas nas escolas de marinha mercante, mas sua alta taxa de evasão gera preocupações latentes – pois nenhum dirigente ousa tocar no desagradável assunto, considerado politicamente incorreto. No mundo, a presença efetiva das mulheres no mar é inferior a 1%, pois o trabalho a bordo apresenta incompatibilidades com o espírito feminino.

Além do índice de evasão, de 18%, informa-se que muitas mulheres acabam sendo transferidas para trabalho de escritório – o que reduz a oferta para pessoal no mar. Especialmente em relação à gravidez, o problema é sério.

Em outras profissões, a mulher espera nove meses para se licenciar, de modo a passar o maior tempo de licença após o nascimento. No caso do mar, os médicos desaprovam – com lógica – a presença das mulheres a bordo na fase pré-natal e, se necessário, os juízes as apóiam. Assim, a fase de afastamento por gravidez estende-se, na prática, por longo tempo.

Esboça-se reação contra as mulheres no mar, mas de forma ainda incipiente. Os líderes do setor sabem da seriedade do problema, mas temem abordá-lo, por temerem represálias de ONGs, da Secretaria da Mulher e até de entidades internacionais.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

7 responses to “AQUAVIA | Escassez de marítimos: fato ou ficção?”

  1. Alexandre Pantaleão says :

    Meu Amigo,
    espero que esteja bem aqui estou divulgando um abaixo aasinado para pressionar os congressistas para aprovarem o 14 x 21 e por isso estou lhe pedindo para disponibilizar um botao em seu blog para esta causa. onde todos – amigos, familiares e cidadaos – possam assinar e divulgar para gerar milhares de empregos no BRASIL.
    BASTA APENAS PREECHER O COMPO OBRIGATORIO – NOME , EMAIL,E Nº. DA INDENTIDADE COM O ORGAO EXPEDIDOR

    CLIQUE NESTE LINK
    http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/8085

  2. Aline Masseno says :

    Bom dia.
    trabalho na Empresa Internacional marítima e estamos recrutando candidatos para as vagas de Cozinheiro (com categoria de marítimo), 2 O,M Comandante CTR / MCB . Caso vocês saibam de alguém que esteja interessado nas vagas favor entrar em contato comigo.
    A empresa é portuária e localizada em São Luís do Maranhão.
    Aline Masseno
    tel.: (98) 3878-9011

  3. Rinaldo Benedito de Assis says :

    Boa Tarde
    Eu sou MCB estou a procura de um embarque
    acima esta meu e-mail para contatos

  4. joel frança says :

    Ola, amigos. O mais interresante disso tudo e o seguinte sou MOM estou com muita dificuldade de conseguir embarque pois tenho pouco tempo de experiencia, e por outro lado fiquei sabendo que tem muitas empresas que não estão contratando MOM para trabalhar. Ai vai uma pergunta como nos os MOM conseguiremos um dia chegar a Oficiais se nem conseguimos passar pra marinheiro pois não temos como completar o tempo necessário de embarque para que isso aconteça. E mais uma coisa peço a quem saiba de alguma empresa que esteja contratando por favor me avise por email Obrigado.

  5. Anônimo says :

    gostaria de trabalhar no offshore, tenho curso técnico em meio ambiente pelo CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLOGICA CEFET, e sou graduada em TECNOLOGO EM SEGURANÇA NO TRABALHO, como entro nessa area offshore me ajudem por favor.

  6. Leoni M.Santos says :

    Sou Taifeiro Maritimo,e nao estou conseguindo embarcar,sou recem formado mas trabalho com taifeiro de plataforma a 2 anos,podem me dar uma ajuda ou lista de empresas que contratam maritimo????por favor gente me ajudem,fiquem com Deus . meu email leomoraes.santos@gmail.com

  7. atosfilho@hotmail.com says :

    amigos tem um video muito bom no youtube nome dele e cfaq areia branca 2011

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