MARINHA MERCANTE | “As mulheres conquistaram seu espaço nesta profissão”

A Tribuna | 2010.10.12

A vida a bordo é de muito sacrifício e dificuldades. Mas, nem por isso, deixa de ser uma excelente opção para mulheres, defende a oficial de Marinha Mercante Laura Teixeira. Apesar de ainda haver preconceitos e já tê-los enfrentados em algumas situações, a jovem diz que vale a pena ingressar na profissão.

Cearense de Fortaleza, com 28 anos, formada desde 2005, a marítima acaba de lançar o blog Mulheres Mercantes (o endereço é http://mulheresmercantes.blogspot.com), para debater os principais temas da categoria, especialmente no que tange à presença feminina a bordo.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista dada por ela para A Tribuna.

As mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado de trabalho, e até em algumas profissões tradicionalmente masculinas. Como é ser uma mulher na Marinha Mercante?

É gratificante estar nesta profissão. As mulheres estão há apenas 10 anos. Quando me perguntam onde trabalho e respondo em um navio, as pessoas se assustam. Mas as mulheres conquistaram seu espaço nesta profissão.

Quais as dificuldades de uma mulher a bordo?

A distância é o pior da profissão. É muito complicado ficar longe da família, principalmente para as mulheres que têm filhos. Ficar longe dos amigos é outra coisa ruim, principalmente porque a comunicação é difícil nos navios. Às vezes alguém morre e você não pode estar junto das pessoas. Não é fácil. É sacrificante. Você não tem sábado, domingo, feriado. Passa aniversário longe, no mar, Natal longe de casa. Enfim, passa uma barra, mas recompensa financeira e profissionalmente.

Há situações embaraçosas para uma mulher nesta profissão?

Para mim, o problema maior é nos portos. Já ocorreu de passar por situações constrangedoras. No Porto de Paranaguá (no Paraná), fui barrada por ser mulher, por preconceito. Até entendo que não se deixe uma mulher entrar sem identificação, do porto para o navio, mas tem a lista de quem pode ou não. Foi muito chato.

No navio, como é o convívio?

Quando você é profissional, você está o tempo todo disponível, apesar de ter suas horas de folga. Alguns navios têm academia, sala de TV, jogos, livros.Alguns já têm internet. É bom, apesar de o confinamento ser difícil. Em algumas ocasiões, em viagens de 35 dias, você fica em alto mar sem nenhum tipo de comunicação.

Os cômodos de homens e mulheres são os mesmos?

Todos ficam na mesma ala. Mas navios maiores têm camarotes individuais com suíte. Ou é só a cabine com banheiro coletivo.

Mas a circulação a bordo e o convívio são normais. E o namoro, é permitido no navio?

Algumas companhias apoiam, não fazem restrição, como a Transpetro, que é uma grande empresa. Não que exista uma política de aproximação, mas não tem objeção. Outras empresas não permitem. Mas hoje, muitas meninas saem das escolas (de formação de oficiais) já namorando com colegas e embarcam namorando. Não existe isso de ficar junto, de ter muito contato dentro do navio, por já termos uma disciplina militar.

Você recomenda essa profissão de prós e contras?

Amo o que faço, tenho prazer em trabalhar. Recomendo, sim. Encho o saco para amigos e familiares entrarem neste trabalho, porque sei que vale a pena. Depois que eu ingressei, vieram primos, irmã, irmão. Estou trazendo todo mundo comigo. Acho que vale para quem tem sentimento de enfrentar o mar. Compensa profissional e financeiramente, mas não é fácil. Há chances de crescer na profissão em pouco tempo, aumentar o salário. E a perspectiva de crescimento do setor é enorme. Não tem perspectiva de diminuir o setor ou de não ir a frente.

Qual o motivo da criação do blog Mulheres Mercantes?

A presença das meninas na Marinha Mercante está crescendo, mas muita gente não enxerga ainda a participação delas. Existem questões que precisam ser debatidas, questões de legislação. Somos algumas centenas apenas, temos que ter um espaço nosso, até para comentar alguns assuntos, se atualizar.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

6 responses to “MARINHA MERCANTE | “As mulheres conquistaram seu espaço nesta profissão””

  1. katia valeria de souza says :

    minha filha esta estudando em um colegio come ‘ ensino militar’ e esta cursando ingles.
    desde pequena despertou essa vontade dela ser marinheira,eu amei a ideia pois sou esposa do tipo amelhia , e sofro muito p or isso,
    por este e outros motivos incentivo muito minha filha a ingressar na marinha,mas sou leiga e so hj q descobri esse site ou blog,me perdoe!!!!rs
    q acho q posso achar solucoes para minhas duvidas.
    ex.minha filha esta com 11 anos faz doze em junho e esta cursando a6 serie setimo ano e eu nao sei como proceder para ingressa la na marinha ,o pouco q sei e q pra as mulheres ,sao feitas provas para oficial ??? isso procede
    e c nao for helllp me,me ajudem a ajudar a minha filha …obrigada e aguardo resposta
    ass katia de souza.

  2. Anônimo says :

    Me sonho é ser marinheira,pois amo ficar sobre o mar,apesar da distancia de casa e da familia,eu ja escolhi qual profissão farei.

  3. estefani carvalho dos santos says :

    Meu sonho é ser marinheira,pois gosto do mar,apesar da distancia,minha profissão eu ja escolhi…

  4. thaiane says :

    Aii Meu Sonho e Ser Marinheira,Pois Eu Gosto e Acho a Profissão Linda!! Parabéns a Todos Marinheiros Tanto Quanto As Mulheres Mais Também Como Os Homens!

  5. A. Gomes says :

    show! Parabéns, se Deus quiser serei a próxima 🙂

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