COMEX | Economista garante: “câmbio não mata comércio exterior”

A palestra inaugural do Fórum Brasil de Comércio Exterior, que acontece em Santos, teve como tema o “Impacto do custo Brasil no Comércio Internacional”. Em outras palavras, os itens que afetam a competitividade das exportações brasileiras. O assunto foi debatido por Ernesto Lozardo, professor e economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para ele, o Brasil é um país sem foco no desenvolvimento econômico e na produtividade. “Quando estudamos os países asiáticos, percebemos que o desenvolvimento do núcleo econômico dessas nações é o setor externo. Em torno dele, toda a economia é organizada”, disse.

Portanto, o desenvolvimento do setor externo passa a ser estratégico principalmente para enfrentar crises internas e externas. “Precisamos de uma base empresarial empreendedora e os lados educacional e cultural voltados ao mercado internacional”, declarou Lozardo. Segundo o economista, não há cultura de progresso no Brasil. “Nossa maior expressão externa foi em 1948, quando tivemos 2% do total mundial de exportação de manufaturados. Em 2009, esse valor caiu para 1,5%”, afirmou. “Isso mostra que ainda não sabemos para o que serve o comércio internacional e a globalização”.

Sobre as discussões a respeito do câmbio, que para muitos é um fator negativo às exportações, Lozardo é incisivo. “O câmbio não vai fazer um milagre para o comércio internacional brasileiro. Ele é apenas uma das variáveis”, explicou. “O câmbio não é política de comércio exterior, é somente uma moeda. Pode atrasar o comércio internacional, mas não matá-lo”.

Em relação aos fatores microeconômicos, o economista destaca a falta de rapidez no desembaraço aduaneiro, o tratamento tributário não compatível com as práticas dos concorrentes asiáticos e a falta de intensificação de acordos comerciais setoriais e de uma infraestrutura mais adequada ao setor externo. “A tributação dos países asiáticos é de 18% do PIB. A do Brasil é de 36,5%”.

Para o economista, os pensamentos deveriam estar voltados para políticas mais aprimoradas de exportação. “O Brasil é um país sem política de inserção global. E, na globalização, o Brasil é um entrante tardio”, disse. “Deveríamos ter uma conduta comercial consistente e, além de formarmos empresas de grande porte para competir no mercado global, inserir, com mais qualificação, as empresas de pequeno e médio portes”.

Editado de artigo originalmente publicado em 2010/09/22 em <http://www.administradores.com.br/informe-se/economia-e-financas/economista-garante-cambio-nao-mata-comercio-exterior/38204/>

Anúncios

Tags:, ,

About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
%d blogueiros gostam disto: