PORTOS.BR | Itajaí contra o relógio

A proximidade da inauguração do Terminal de Itapoá, dentro da Zona de Praticagem de São Francisco do Sul, pode trazer perdas consideráveis ao Complexo Portuário do Itajaí, na opinião de participantes do Itajaí Trade Summit com quem conversei ontem.

Segundo meus interlocutores, o problema está na questão das manobras noturnas: os limites atuais não permitem que navios de mais de 235 metros de comprimento e 32 metros de boca trafeguem no porto de noite. Isso leva os navios maiores, que mais movimentam carga individualmente, a “dormir” em Itajaí ou em Navegantes. É um sono caro: em agosto, por exemplo, um navio de 4.250 TEUs (261 m de comprimento, 32 metros de boca) era afretado a cerca de US$ 24.000, ou US$ 1.000 por hora.

Com a entrada de Itapoá no cenário, os armadores terão à disposição uma alternativa que lhes permitirá eliminar o custo decorrente deste “sono”, o que viria a calhar em uma época na qual o corte de custos tem destaque na gestão das empresas do setor. E há sinais de que a migração pode começar em breve: os chilenos da CSAV e a própria Maersk já disseram à APM Terminals que, se nada mudar, começam a levar os navios de maior porte embora em dezembro ou janeiro.

A situação de Itajaí é agravada por pelo menos dois fatores. O primeiro deles é o atraso no processo de dragagem do canal de acesso a 14 metros: por conta de disputas jurídicas entre os participantes da licitação, o aprofundamento, que deveria começar em outubro, pode nem começar neste ano. O segundo fator é o processo de alteração de parâmetros, que envolve, além da Autoridade Portuária, da Autoridade Marítima estadual e da praticagem, também a Diretoria de Portos e Costas, localizada no Rio de Janeiro. Sem entendimento entre estes atores, Itajaí não terá resposta adequada à demanda dos armadores.

A pergunta que se apresenta agora é se é possível manobrar navios de maior porte durante a noite equilibrando de modo responsável eficiência, ou produtividade, e segurança, ou proteção. Na resposta, será preciso ter em conta que demasiado favor à produtividade pode levar a um acidente grave, mas apego excessivo à segurança pode levar a dificuldades econômicas e, no limite, à quebra.

Pelas repercussões da resposta, parece justo dizer que ela não deve ser resultado do juízo de poucos, ou de um só.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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