ELEIÇÕES 2010 | Lulão fel e rancor

Ontem, soube pelo Twitter que, durante comício em Joinville, Luiz Inácio Lula da Silva disse que era preciso extirpar o Democratas da política brasileira.

Explicaram-me @romulomafra e @luciouberdan que ela é a resposta (muito tardia, a meu ver), a Jorge Bornhausen, que disse em 2005, no auge da crise do mensalão petista: “a gente vai se ver livre dessa raça por, pelo menos, 30 anos”.

Bornhausen foi infeliz naquele augúrio, não apenas porque não ocorreu o que ele desejara, mas principalmente pelo autoritarismo que o vaticínio carregava.

Se o que o então senador catarinense disse é reprovável — e é! –, a fala do presidente é simplesmente inaceitável.

Primeiramente, a erva daninha que Lula vê nos Bornhausen faz parte do governo dele também, embora em outras agremiações. Collor e Sarney são dois oligarcas crias do arenismo. E ainda há o PP, que a candidata do PT ao governo de Santa Catarina, Ideli Salvatti, chamou de “Arena 2”, referindo-se às origens do partido de Ângela Amin e Paulo Maluf.

Em segundo lugar, e talvez mais importante, a frase do presidente é incompatível com o “Brasil, país de todos”.

Lula é chefe de um Estado democrático de Direito. Deve presidir todos os brasileiros, inclusive aqueles que a ele resistem. Portanto, seria justo esperar dele tolerância com as diferenças, por maiores que sejam, e respeito às minorias. Todavia, o chamamento à eliminação do DEM sugere intolerância e exclusão. De quebra, leva Lula ao mesmo pântano em que Bornhausen se enfiara cinco anos atrás.

O presidente teria feito melhor se tivesse seguido o exemplo de Haakon VII.

Em 1927, o rei norueguês — eleito para a coroa por 79% da população  — era pressionado pelos conservadores a formar um governo sem a participação dos trabalhistas, então majoritários no parlamento e tidos como revolucionários. A certa altura,  disse aos seus intelocutores: “Eu sou também rei dos comunistas”.

Lula se elegeu em 2002 a bordo do modelito “Lulinha paz e amor”. Agora, vai findando seu segundo mandato mostrando a face “Lulão fel e rancor”.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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