AQUAVIA | Marinha reajusta preço da praticagem em Santos em 1,77%

A Diretoria de Portos e Costas (DPC), órgão da Marinha do Brasil, arbitrou os preços cobrados pelo serviço de praticagem no Porto de Santos.Como resultado, os valores sofreram um reajuste de 1,77%, o que foi criticado pelos armadores. Os empresários vão recorrer da decisão. A Praticagem de Santos, empresa que realiza a atividade, disse que a correção foi justa.

A variação teve como base o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM)de julho último,segundo a DPC.O reajuste atingiu todas as tabelas do serviço, que consideram a área de navegação e a condição e o tamanho do navio.

Na nova tabela, o serviço de praticagem mais barato é a condução de navios com até 10 mil de arqueação bruta (tonelagem), da entrada do Canal do Estuário até as torres grandes, na altura do Armazém 25. O preço, de R$ 4.668,04, é para navios conteineiros, ro-ro, transatlânticos, de carga geral e de apoio marítimo. O mais caro é o que envolve navios com mais de 18 anos e arqueação bruta entre 30 mil e 40 mil, sendo levados até os terminais de Cubatão, pelo Canal de Piaçaguera. A taxa é de R$ 19.923,44.

A portaria com a decisão da DPC foi publicada na edição da última segunda-feira do Diário Oficial da União (DOU). Segundo a Marinha, a revisão dos custos da praticagem em Santosfoi solicitada no início do ano pelo Centro Nacional de Navegação (Centronave), entidade que reúne os armadores, que não concordava com os valores que eram cobrados.

Abertura de preços

Para o diretor-executivo do Centronave, Elias Gedeon, o reajuste da DPC frustrou as companhias de navegação, que queriam uma redução.

“Esperávamos que houvesse a abertura dos custos, como o preço da praticagem em Santos é formado, por parte da DPC. Mas a DPC pegou o contrato anterior e fez esse ajuste”.

Gedeon afirmou que, nos próximos dias, o Centronave vai recorrer à própria DPC.

“O preço é altíssimo em Santos, mas, independente disso, tinha que haver uma justificativa por ele. Quero saber sobre o que estou pagando. O recurso vai ser para abrir a formação do valor e reavaliar os preços finais”.

Segundo os armadores, as taxas de praticagem no cais santista poderiam ser reduzidas entre 30% e 40%, sem prejuízo da qualidade do serviço. Conforme o Centronave, só a contratação dos práticos representa 50% do custodos navios no cais santista.

“A lei manda que o preço de um serviço como a praticagem é para remunerar o prático, a atalaia (centro de operações) e a lancha (que leva os práticos até o navio). Mas não está acontecendo isso. Estamos reféns porque só uma empresa presta este tipo de serviço no Porto de Santos e, portanto, não temos como escolher. É um monopólio”, criticou Gedeon.

Satisfatório

A Praticagem de Santos considerou satisfatória a fixação do preço do seu serviço. “Reflete a variação normal dos índices aplicados nos contratos. Não ficou nem acima, nem abaixo do que é justo”, disse o assessor da Praticagem de Santos, Marcos Jorge Matusevicius.

Segundo o assessor, o reajuste ocorreu após mais de um período sem aumento, embora o contrato preveja uma revisão, numa composição de 70% com base no IPCA e 30% no IGPM. Ele destacou que, no início do ano passado, quando deveria acontecer o reajuste, os armadores pediram o congelamento dos preços por seis meses, por conta da crise financeira mundial.A Praticagem manteve o valor sem atualização por um ano.

Para o executivo, o reajuste aplicado pela DPC desmistifica que o preço de praticagem é alto, como alegam os armadores. Com base em pesquisas nas quais os próprios armadores foram ouvidos, ele citou que o custo do serviço se compara ao praticado em qualquer porto do mundo, além de ser de alta qualidade.”Isso ratifica que é um valor razoável”.

Matusevicius destacou que os preços da nova tabela estão apenas 1,8% acima dos que a Praticagem de Santos cobra das empresas que negociam diretamente (sem a participação da DPC). E disse que os valores apontados pela Marinha têm validade até que ocorra um novo acordo com o Centronave.

Fonte: A Tribuna

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

2 responses to “AQUAVIA | Marinha reajusta preço da praticagem em Santos em 1,77%”

  1. Daniel Poffo says :

    O Elias Gedeon com a velha história de querer saber sobre o que ele está pagando. Pergunta que não quer calar: os armadores abrem os custos aos clientes que pagam o frete, para que estes saibam o que estão pagando? Ainda mais, os rebocadores, os terminais portuários e todos os demais envolvidos na cadeia portuárua abrem os custos, para demonstrar aos armadores a composição de seu preço?

    Nem o serviço público, ao adquirir bens e serviços, pede a composição do preço do que paga. Incrível que somente o Centronave faz questão da abertura de custos e somente com as praticagens do Brasil.

    O Elias Gedeon poderia perguntar aos antecessores dele, que sempre negociaram livremente o preço dos serviços com as praticagens, como foi a composição para chegarem aos valores atualmente cobrados em todo o Brasil. De nada adianta uma instituição vangloriar-se de ter mais de 100 anos de existência, se não tem registros de sua própria história.

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