POLÍTICA | Academia invertebrada

No post “Histórias invertebradas”, critiquei o que me pareceu desonestidade acadêmica cometido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) ao atribuir à Confederação Nacional da Indústria uma afirmação que ela não fez.

Em junho, encaminhei minhas objeções à Ouvidoria do Ipea. Esta foi, fundamentalmente, a resposta:

De: Carlos Alvares da Silva Campos Neto

Enviada em: quinta-feira, 24 de junho de 2010 12:10

Para: Marilia Vieira das Virgens

Cc: Rosilene Silva de Abreu; Katia Cilene Vieira M. Sousa

Assunto: RES: Memorando sobre Crítica ao Comunicado IPEA nº 48

Prezados,

De fato o Sr. Alexandre Gonçalves tem razão. Em algum momento da elaboração do TD PAC-Portos, o termo “praticagem” foi inserido no texto da CNI.

Analisando as versões anteriores, vi que inicialmente esse termo não constava do texto – inclusive, ele não consta do capítulo do BD-2009, que foi finalizado antes do TD – estando presente apenas nas versões finais do TD 1423.

Acabo de falar com a Jane a respeito dos comunicados e também do livro e teremos ainda a chance de corrigir estes erros, se for esta a orientação.

Lembro ainda que o Sr. Alexandre faz menção ao  AO COMUNICADO N° 48.

Atenciosamente,

Carlos Campos

A princípio, fiquei satisfeito: o erro foi reconhecido. Mas, depois, vi isto:

Acabo de falar com a Jane a respeito dos comunicados e também do livro e teremos ainda a chance de corrigir estes erros, se for esta a orientação.

Que quer dizer isto?

Fizesse eu isso em um de meus trabalhos acadêmicos e seria obrigado a retirá-la ou corrigi-la. É o que teria de ocorrer se a orientação a seguir fosse científica, e pronto.

Aparentemente, não é o caso.

Estariam os doutos técnicos do Ipea a aguardar por autorização de superiores?

Se for este o caso, há o risco de que interesses políticos específicos considerem conveniente esquecer o caso — e o respeito ao método científico, sem o qual não há credibilidade que se sustente.

Atribuir a terceiro ideia que não é dele num trabalho de porte como o Comunicado nº 48 é reprovável. Fazer a correção da falta depender de “orientação” é alarmante: indica que o compromisso com a retidão da pesquisa se amolda às conveniências dos tomadores de decisão.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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