Avanços em logística

PEDRO BRITO*

Os avanços conquistados nos últimos anos com relação à logística dos transportes são notáveis em nosso país. Há melhorias nos setores de infraestrutura, nas áreas de energia e comunicação, por exemplo, e no setor energético.

No entanto, ainda há muito o que melhorar. O setor de transportes aquaviários é um dos que clama por mais investimentos e organização.

A busca pela melhoria em infraestrutura, aliás, é uma necessidade de toda a sociedade, especialmente em um ano em que teremos eleições.

É pungente que tenhamos investimentos em setores diversificados da economia brasileira, com destaque para as áreas que estão defasadas e que gritam por investimentos.

Como consta do Programa Nacional de Logística Portuária (PNLP), a matriz de transportes do país tem que ser modificada.

Nossos custos de logística estão entre os mais elevados do mundo e correspondem a 15,4% do PIB, de acordo com o estudo “How to Decrease Freight Logistics Cost in Brazil” (como reduzir custos com logística de transporte no Brasil), publicado em fins de 2008 pelo Banco Mundial (Bird).

Esse número é quase o dobro do americano (8,5%), e, segundo o próprio Bird, pode chegar a até 18% de todo o PIB nacional, o que representa custos da ordem de US$ 290 bilhões.

Mesmo assim, o país entrou em 2010 com uma ótima notícia sobre logística, também divulgada pelo Banco Mundial. Segundo o Índice de Desenvolvimento Logístico deste ano, o Brasil pulou da 61ª posição, desde a última divulgação do índice, em 2007, para a 41ª posição neste ano.

Subimos 20 posições em apenas três anos, e estamos em primeiro lugar na América Latina, à frente de países como México, Argentina e Chile.

O Índice de Desempenho Logístico avalia desempenhos em eficiência de processos de liberação nas transações alfandegárias; infraestrutura; simplicidade e disponibilidade para embarques; competência de logística; rastreamento e acompanhamento de cargas; custos de transporte, armazenagem e manejo de cargas e rapidez e economia de tempo.

Em 2007, foram 150 países analisados; em 2010, esse número subiu para ra 155 nações estudadas.

O intervalo entre as duas divulgações do índice pelo Bird (2007-2009) coincide exatamente com o período em que a Secretaria Especial de Portos (SEP) está funcionando.

Criada em 2007 como uma secretaria com status de ministério, o órgão tem obtido resultados muito positivos no desenvolvimento de políticas de logística para o setor portuário.

Usando esse mesmo intervalo, para efeito de comparação, as exportações brasileiras cresceram 11% no período de 2007 a 2009, apesar da retração de demanda externa em função da crise financeira.

A movimentação apresentou resultados surpreendentes em Santos, o maior porto da América Latina, em um período entre 2004 e 2008. Em apenas quatro anos, passou de 60 milhões de toneladas para 80 milhões de toneladas movimentadas.

Os investimentos públicos e privados em infraestrutura portuária, no período, não pararam. Entre 2007 e 2009, foram aplicados pelo governo federal mais de R$ 2 bilhões, enquanto a carteira de investimentos privados conhecidos, entre 2007 e 2015, supera US$ 5 bilhões.

Ao fazer uma análise cuidadosa e criteriosa do documento produzido pelo Bird, vemos que as maiores deficiências do setor portuário não estão em problemas de infraestrutura ou de competência logística.

Enfrentamos mais problemas em questões relacionadas ao impacto negativo da burocracia e diversos processos que dificultam o desembaraço de mercadorias importadas e o embarque de produtos para o exterior.

Se resolvermos essas questões burocráticas, certamente poderemos pular mais 20 posições na divulgação do próximo Índice de Desenvolvimento Logístico.

Para isso, é necessário que haja investimentos em inteligência logística e em todos os modais, para que o desenvolvimento seja sustentável, de longo prazo e que traga retornos positivos para o país, como a melhoria nos padrões de competitividade e o auxílio no crescimento da economia.

* Pedro Brito é ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos

Fonte: http://www.sae.gov.br/site/?p=3504

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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