O complexo portuário do Itajaí e seus rios: hora de discutir a relação — de novo

Decidi trazer vários dos textos que escrevi enquanto presidia a sociedade de praticagem de Itajaí e Navegantes do blog de lá para este aqui.

Este primeiro foi publicado em 30/11/2008 sob o título O complexo portuário de Itajaí e seus rios – hora de discutir a relação.

Para bem e para mal, ainda carrega bastante atualidade, acredito:

O ano de 2008 convida a uma reflexão acerca da interação entre o complexo portuário do Itajaí e os rios Itajaí-Açu e Itajaí-Mirim. As recentes cheias dos dois rios provocaram enormes prejuízos materiais não apenas à região, mas a todo o Estado e mesmo ao País.

Durante o Itajaí Trade Summit, realizado entre 19 e 21 de novembro, conversamos com o Diretor Comercial do Porto de Itajaí, Zenaldo Feuser, acerca dos frequentes fechamentos de barra. As chuvas que haviam caído desde agosto resultaram em uma série de interrupções do tráfego de navios, com repercussões negativas para a comunidade marítima e portuária.

Naquela ocasião, como em outras, diante de outros interlocutores, dissemos que a velocidade de subida do nível dos rios a cada chuva mais forte era o que mais impressionava. Quase que de uma hora para outra, a corrente ganhava força, a ponto de dificultar ou impossibilitar as manobras.

Nunca tínhamos visto chover tanto em um ano quanto em 2008… Já havíamos enfrentado problemas em fins de janeiro e fevereiro, e o número de dias de barra fechada ou praticável com restrições não encontrava paralelo em nossa memória.

Falamos sobre a idéia de criar um canal que redirecionasse parte do fluxo do Itajaí-Açu e permitisse maior controle sobre a correnteza, a fim de combater esta tendência emergente, já observada em 2007.

Mal sabíamos nós o que estava por vir…

Hoje, decorrida uma semana, descobrimos que a idéia do canal não era nova, embora a nossa perspectiva seja diferente. Ela consta de estudo realizado pela Japan International Cooperation Agency, intitulado The Itajaí River Basin Flood Control Project Part I.

O ponto a que desejo chegar é que, nesta enchente, ficou demonstrada a necessidade de proteger não apenas esta ou aquela cidade, mas também o Complexo Portuário do Itajaí, sob pena de mais prejuízos e de eventual perda de investimentos para outras regiões.

De pouco servirá reconstruir o porto, se não for encontrado um modo de tornar as ondas de cheia menos íngremes no caminho entre Blumenau, ou Brusque, e o mar. É preciso que nós nos reconciliemos com os rios em torno dos quais nossa vida se desenvolve, ou estaremos fadados à destruição cíclica, parcial ou total, de nossas vidas.

Não é preciso inventar muito. Basta prestar atenção no que já foi dito. Exemplos estão nos links a seguir:

Gestão das Águas no Brasil

Comitê do Itajaí, Análise e Avaliação de uma Experiência de Gestão Ambiental

Uma Abordagem para o Gerenciamento Ambiental da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí, com Ênfase no Problema das Enchentes

O que aconteceu conosco foi, em parte, resultado de nossa intervenção desastrada. Talvez uma intervenção coordenada, feita dos esforços de todos, transforme a lama e a água, a dor e o trauma, o medo e a morte em um futuro no qual o vale e a foz do Itajaí não tenha tanto que temer as chuvas e os rios que lhe dão vida.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar

3 responses to “O complexo portuário do Itajaí e seus rios: hora de discutir a relação — de novo”

  1. Célio says :

    Cara,não sou um grande entendedor do assunto

    mas eu achei esse teu texto exelente, e sempre bato na mesma tecla com esse assunto

    o que q adianta só se preocupar com o porto e esquecer a relação do rio itajai-mirim e açu

    tem projetos para amenizar bastante

    e não existe mobilização politica pra nada

    • Alexandre da Rocha says :

      Obrigado pela sua opinião!

      Por ter entendimento semelhante ao seu é que estou trazendo de volta o que escrevi depois das cheias de 2008.

      Apesar de todas as lições que aquela cheia nos deu, cá estamos nós em 2010 a sofrer com as chuvas, de novo.

      Está na hora de rever nossos conceitos.

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