LOGÍSTICA | FGV comprova baixo peso econômico da praticagem

A Fundação Getúlio Vargas acaba de disponibilizar informações que mostram que a participação dos serviços de praticagem no custo do transporte marítimo varia entre 0,4% e 0,59%. Os dados comprovam ainda que o custo de praticagem varia numa faixa entre 0,12% e 0,18% do custo logístico total de exportação.

Estes e outros números fazem parte dos resultados da pesquisa “Análise da Competitividade Internacional dos Valores Cobrados pelo Serviço de Praticagem do Porto de Santos“, coordenada pelo Doutor em Engenharia Oceânica e Consultor Sênior da FGV Projetos, Renaud Barbosa da Silva, a pedido da Praticagem de Santos, para comprovar, de forma definitiva, que os dados divulgados na imprensa, desde outubro de 2008, com base em levantamento produzido pelo Centro de Estudos em Gestão Naval (CEGN) não são verdadeiros.

As conclusões do CEGN, defendidas publicamente pelo professor da USP Dr. Marcos Mendes de Oliveira Pinto, coordenador daquele Centro de Estudos e suposto autor do levantamento, foram em boa parte invalidadas pelo próprio CEGN através de errata publicada poucos meses após a publicação do trabalho.

O levantamento da FGV, entretanto, desmonta a estrutura das propostas do CEGN que consistia na informação de que os preços do serviço de praticagem no Brasil, como média, e em Santos, em particular, seriam mais de 200% superiores à média dos preços internacionais.

O presente trabalho da FGV vem revelar que os preços dos serviços de praticagem no porto de Santos são compatíveis com os valores vigentes nos principais portos mundiais e não interferem na competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Um dos aspectos mais interessantes e esclarecedores do estudo se refere aos custos para os exportadores. Os pesquisadores verificaram que os custos anteriores à chegada do

contêiner ao porto compõem o principal grupo, representando 38,08% do total gasto pelo exportador. O frete marítimo internacional vem a seguir, representando 30,99% do total. Os custos burocráticos de exportação (20,78%) representam mais do dobro dos custos incorridos no terminal marítimo (10,16%).

“Trata-se de um estudo verdadeiramente científico, elaborado por uma das mais respeitáveis instituições de pesquisa do mundo e que vem colocar um ponto final nas falácias apregoadas com a única finalidade de enfraquecer o sistema brasileiro de praticagem”, comentou o Diretor Presidente da Praticagem de Santos, Fábio Mello Fontes.

Como demonstra agora a criteriosa análise feita pela FGV, os custos de praticagem no porto de Santos são inferiores aos verificados em Nova York, Roterdã, Hamburgo e São Petesburgo, por exemplo. “Nesses dois últimos portos toda a infraestrutura é mantida pelos governos, ao contrário de Santos, onde a praticagem é autosustentável”, revelou o Presidente da Praticagem, lembrando que pagamento de funcionários, compra e manutenção das lanchas, central de operação, tecnologia e todas as ferramentas de apoio utilizadas pelos práticos é bancado pelas próprias sociedades de praticagem, sem qualquer recurso público.

Na verdade, isso significa que um produto brasileiro é menos onerado no embarque pelo porto de Santos do que na chegada a Hamburgo, por exemplo. Conforme atestou a FGV, no ano passado, entre 54% e 66% das exportações a partir do porto de Santos foram destinadas a países onde os valores dos serviços de praticagem são superiores aos de Santos. “Os nossos preços, portanto, são bem competitivos. Os valores de praticagem não representam qualquer entrave à exportação de mercadorias brasileiras para esses portos”, assinalou Fábio Mello Fontes.

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About Alexandre da Rocha

Nasci carioca, nasci guanabarino. Desconfio que nasci marinho. Cheguei a deixar do mar, sim... Mas cadê que o mar deixou de mim? Vim morar
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